A Cor Azul

_18 mar 2015

As cores são parte integral das nossas vidas. O modo como as enxergamos influencia nossos gostos, nossa personalidade e até mesmo nosso paladar, e é ela que nos permite ver o mundo. Sua relevância é tão grande que se você fechar os olhos é capaz de pensar em uma cor e visualizá-la na sua mente. Outro ponto interessante sobre as cores está nos sonhos. Ao acordar, você se lembra dos seus sonhos? Mais do que isso, lembra se eles eram coloridos ou em preto e branco? Uma pesquisa publicada no jornal da American Psychological Association aponta que a presença de todas as cores ou apenas preto e branco nos nossos sonhos pode ser influenciada pelo tempo de vida. Quanto mais jovem, mais cor.

A maneira como enxergamos as cores mudou ao longo do tempo, e isso se deve à forma como diferentes sociedades, em diferentes épocas, se referiam a elas. O azul, até relativamente pouco tempo na história da humanidade, não existia. Mas como assim não existia? Bom, pelo menos não da maneira como nos referimos ao azul hoje.

Estudos sobre linguística mostram que diversos idiomas antigos, como o japonês, hebraico, grego e chinês, não tinham uma palavra para designar o azul. E sem uma palavra para ela, tecnicamente, a cor não existia. Essa hipótese começou com a leitura do livro “A Odisséia” de Homero, escrito por volta de 750 a.C., onde o autor descreve o mar como “cor de vinho”. Por que não verde ou azul? Ele ainda fala de “ovelhas violetas” e “mel verde”. Seria Homero daltônico?

Azul da cor do mar? Imagem: Stock Wallpapers

Azul da cor do mar? Imagem: Stock Wallpapers

Em 1858, William Ewart Gladstone, estudioso e político britânico, notou que existiam outras discrepâncias apenas na descrição de cores em antigas publicações. Ainda em “A Odisséia”, o preto é mencionado quase 200 vezes e o branco cerca de 100, a aparição de outros tons é rara. O vermelho aparece menos de 15 vezes, o amarelo e verde menos de 10 e não há nenhuma menção do azul. Mas será que isso era apenas na literatura da antiga civilização grega?

Também por volta de 1860, o filósofo alemão Lazarus Geiger acompanhou Gladstone e percebeu que o azul não aparecia em textos de outras culturas antigas. Livros de sagas irlandesas, o Alcorão, histórias chinesas e até uma versão antiga hebraica da Bíblia não mencionavam ou se referiam à cor azul. Ao falar do céu, por exemplo, se referiam à vermelhidão da aurora, às nuvens, à frequência e ao calor do sol. Em tese, ninguém naquela época tinha aprendido o que era o azul.

Simplesmente não havia azul.

O céu é realmente azul? Imagem: Russell Mondy

O céu é realmente azul? Imagem: Russell Mondy

O pesquisador Guy Deutscher tentou uma experiência casual com o tema. Em teoria, uma das primeiras perguntas das crianças é “por que o céu é azul?”. Então ele criou sua filha tendo o cuidado de nunca descrever a cor do céu para ela. Um belo dia, lhe perguntou que cor ela via quando olhava para cima. A garota não tinha ideia. O céu, para ela, era incolor. Eventualmente, ela decidiu que era branco, e mais tarde, azul. Mas o azul definitivamente não foi a primeira cor que ela pensou.

A cor azul surgiria então com um certo “atraso” em relação às outras cores. Geiger, pesquisando sobre o surgimento de expressões para designar cores, percebeu que todas as línguas tinham tido, primeiramente, uma expressão para o preto e o branco, a escuridão e a luz. A próxima palavra foi vermelho, cor do sangue e do vinho. Depois historicamente aparece o amarelo, e mais tarde, o verde. A última das cores é o azul. Descobriram também que a única cultura que desenvolveu na época uma palavra para o azul foram os egípcios, os primeiros a produzir corantes com essa tonalidade.

Interessante observar que o azul não está muito presente na natureza em comparação com as outras cores. São poucos os animais azuis, poucas flores azuis e pouquíssimos alimentos azuis. Há, claro, o céu, mas seria ele realmente azul? Geiger afirma que mesmo as escrituras antigas que se referiam ao céu não o viam como “azul”. Mas isso não necessariamente quer dizer que as pessoas não viam o azul, apenas que o modo de se referir a essa cor era diferente.

Pássaro Gaio-azul. Imagem: Google Images

Pássaro Gaio-azul. Imagem: Google Images

O pesquisador Jules Davidoff viajou para a Namíbia e realizou um teste com a tribo Himba, que fala uma língua na qual não existe uma palavra para o azul, mas que tem muitas descrições para os diferentes tons de verde. Quando ele mostrou um círculo com 11 quadrados verdes e um azul, eles não conseguiam enxergar com facilidade a cor diferente. Para nós seria fácil, já que claramente enxergamos a cor. Por outro lado, ao olhar para um círculo com quadrados verdes em que apenas um quadrado tinha uma tonalidade diferente de verde, membros da tribo Himba imediatamente o identificavam. Para nós, isso já é mais difícil.

Círculo com onze quadrados verdes idênticos e um com sua cor diferente dos demais em referência ao experimento de Jules Davidoff.

Círculo com onze quadrados verdes idênticos e um com sua cor diferente dos demais em referência ao experimento de Jules Davidoff.

Para melhor exemplificar isso, pense em quantos nomes diferentes você consegue dar para a cor laranja, por exemplo. Laranja claro, laranja fluorescente, laranja quente. Se for criativo pode pensar em mais alguns. O azul para nós tem muito mais variações de nomes do que o laranja. Isso faz parte da nossa sociedade moderna, que também é muito influenciada pela era digital com computadores, tablets, TVs e celulares com suas telas coloridas.

Destaque do quadrado verde com sua cor diferente dos demais.

Destaque do quadrado verde com sua cor diferente dos demais.

Eis o verde diferente, ele é um pouco mais amarelado.

É muito provável que no passado as pessoas já enxergassem a cor azul mas por não existir uma palavra para definir esse conceito não associavam ao estavam enxergando. Depois de alguns séculos, o azul começou a fazer parte de nossa rotina e é impossível viver sem pensar nele. É a cor favorita de 45% das pessoas do mundo, possui 111 tons diferentes nomeados, além de curiosamente, ser a cor mais usada nos logos de empresas segundo umapesquisa do CoulourLovers sobre as cem marcas mais importantes na web.

"The Colors of the Web". Foto: ColourLovers

“The Colors of the Web”. Foto: ColourLovers

E aí, passou a curtir mais o azul?

Fontes:
Artbrain:
http://bit.ly/1C91hsM
Business Insider:
http://read.bi/1C91exd
Colourlovers:
http://bit.ly/1MEXo23
Gizmodo Brasil:
http://bit.ly/1C8STtr
Hype Science:
http://bit.ly/1C8SUO2
Portal Terra:
http://bit.ly/1C93rst
Wikipedia:
http://bit.ly/1C91pIQ

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